
O Palácio da Bolsa é a sede oitocentista da Associação Comercial do Porto, na Praça do Infante D. Henrique, mesmo por cima da Ribeira. A sua fachada neoclássica sóbria esconde alguns dos interiores mais sumptuosos de Portugal, sobretudo o Salão Árabe, uma sala de estuques dourados em estilo mourisco onde a cidade recebe chefes de Estado.
O Palácio da Bolsa num relance
- Onde: Praça do Infante D. Henrique, na Ribeira, ao lado da igreja de São Francisco.
- Construído: a partir de 1842; a estrutura estava pronta em 1850, a decoração interior só em 1910.
- Autor: o arquiteto Joaquim da Costa Lima Júnior, com trabalhos posteriores de Gonçalves e Sousa, Tomás Soler e outros.
- O que é hoje: a sede da Associação Comercial do Porto, monumento nacional desde 1982, aberto a visitas guiadas e usado para eventos.
- Tempo necessário: a visita guiada dura cerca de 30 minutos; conta com um pouco mais para a praça e a fachada.
Construído sobre as ruínas de um convento
O palácio ocupa o lugar dos claustros do convento franciscano vizinho. Em 1832, durante a guerra civil entre liberais e absolutistas, um incêndio destruiu os claustros mas poupou a igreja. Os comerciantes do Porto não tinham então uma verdadeira bolsa e reuniam-se ao ar livre na Rua dos Ingleses, por isso em 1841 a rainha D. Maria II doou-lhes as ruínas para construírem a sede da Associação Comercial. As obras começaram em outubro de 1842, segundo o projeto do arquiteto portuense Joaquim da Costa Lima Júnior, que escolheu um estilo neoclássico sóbrio, influenciado por Palladio e por edifícios mais antigos da cidade de inspiração inglesa.
A estrutura estava de pé em 1850, mas decorar o interior levou mais sessenta anos e uma geração inteira de artistas portugueses. Gonçalves e Sousa desenhou a escadaria nobre e o Salão Árabe, Tomás Soler a cúpula de ferro e vidro sobre o pátio central, e pintores e escultores como Veloso Salgado, Marques de Oliveira, Soares dos Reis e Teixeira Lopes encheram as salas de alegorias e bustos. As últimas salas ficaram prontas em 1910. Já não se negoceiam ações aqui, mas a Associação Comercial continua a ter sede no palácio.
O que observar
- O Pátio das Nações, sob uma cúpula octogonal de ferro e vidro, com os brasões pintados dos países que comerciavam com Portugal no século XIX.
- A escadaria nobre de 1868, em granito e mármore, com bustos de Soares dos Reis e Teixeira Lopes e um teto pintado por António Ramalho.
- O Salão Árabe, construído entre 1862 e 1880, onde cada superfície está coberta de estuques dourados e inscrições em estilo árabe.
- A Sala do Tribunal, onde antes se resolviam os litígios comerciais, e a Sala dos Retratos, com uma mesa ricamente entalhada que levou ao seu autor, Zeferino José Pinto, cerca de três anos.
- Lá fora, a fachada sóbria de granito virada para a praça e a estátua do Infante D. Henrique no jardim em frente.
O Salão Árabe
A joia do palácio levou quase duas décadas a terminar. Inspirado na Alhambra de Granada e na moda neomourisca da Europa do século XIX, o salão oval está envolto em ouro e cor, com inscrições em estuque a correr pelas paredes e pelo teto. Foi feito para impressionar, e continua a fazê-lo: a cidade usa-o como sala de receção quando chefes de Estado e outros convidados importantes visitam o Porto, e às vezes acolhe concertos.
Dicas para a tua visita
- O interior só se vê com visita guiada, em português, inglês, espanhol e francês; compras o bilhete no palácio, onde escolhes também a hora e a língua.
- No verão chega cedo: as visitas enchem e os lugares do próprio dia podem esgotar.
- Fotografa a fachada a partir do jardim da Praça do Infante, de preferência com a luz suave da manhã.
- Junta a visita à igreja de São Francisco, ao lado, e a uma descida até à Ribeira.
Perto daqui
- Igreja de São Francisco: uma igreja gótica com um interior barroco de talha dourada impressionante, mesmo ao lado.
- Casa do Infante: o edifício medieval onde, segundo a tradição, nasceu o Infante D. Henrique, hoje museu, a poucos minutos a pé.
- Ribeira: o bairro colorido junto ao Douro, com vista para a ponte D. Luís I, a poucos minutos a descer.
- Mercado Ferreira Borges: o mercado de ferro vermelho do século XIX à beira da praça, hoje usado para eventos.
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Factos verificados em outubro de 2026.
