
O monumento corágico de Lisícrates é um pequeno templo redondo de mármore sobre uma base alta, numa pracinha de Plaka por baixo da Acrópole. Foi mandado construir em 335/334 a.C. por um ateniense rico, Lisícrates, para exibir o tripé de bronze que o seu coro ganhara num concurso musical, e é o edifício mais antigo conhecido com colunas coríntias no exterior. Ao longo dos séculos foi biblioteca de um convento, abrigo de Lord Byron e modelo de monumentos de Edimburgo a Nova Iorque.
O monumento de Lisícrates num relance
- Onde: praça Lysikratous, na rua Tripodon, em Plaka, a poucos minutos a pé a leste do Museu da Acrópole.
- Construído: em 335/334 a.C., o ano da vitória de Lisícrates.
- Autor: encomendado por Lisícrates, filho de Lisiteides, do demo de Kikynna; o arquiteto é desconhecido.
- Hoje: um monumento antigo ao ar livre numa pequena praça vedada, visível da rua a qualquer hora.
- Tempo necessário: 10 a 15 minutos.
O pedestal do prémio de um coro
Na Atenas antiga, os cidadãos ricos eram coregos: pagavam um coro que competia nas festas em honra de Dioniso. O patrocinador vencedor recebia um tripé de bronze, e era costume exibi-lo num monumento ao longo da rua dos Tripés, que levava ao teatro de Dioniso. O coro de rapazes de Lisícrates ganhou o concurso de ditirambos das Grandes Dionísias em 335/334 a.C., e o seu monumento é o único dessa rua que chegou até nós quase inteiro. A inscrição ainda nomeia o patrocinador, a tribo vencedora Akamantis, o flautista Teão, o mestre do coro Lisíades e o arconte Euéneto, o que permite datá-lo com exatidão.
Em 1658, capuchinhos franceses fundaram um convento à volta do monumento e mais tarde compraram-no; acabou por fazer parte da biblioteca e era conhecido como ‘Lanterna de Demóstenes’ ou ‘Lanterna de Diógenes’. Lord Byron ficou no convento na sua segunda viagem à Grécia, e em 1818 um dos frades terá plantado no jardim os primeiros tomates da Grécia. O convento ardeu durante a guerra da independência em 1821, e em 1876–1887 arquitetos franceses desentulharam e restauraram o monumento.
O que observar
- Os capitéis coríntios: as seis colunas adossadas têm capitéis de folhas de acanto, o primeiro uso conhecido da ordem coríntia no exterior de um edifício.
- O friso: uma faixa em relevo no topo mostra Dioniso a transformar piratas tirrenos em golfinhos, uma cena do Hino homérico a Dioniso.
- Os pequenos tripés: logo abaixo do friso, entre os capitéis, procura uma segunda faixa esculpida com tripés.
- O remate: o telhado é um único bloco de mármore encimado por um ornamento floral esculpido que outrora sustentava o tripé de bronze.
- A inscrição: na arquitrave virada para a rua, o texto grego que nomeia Lisícrates e os membros da equipa vencedora.
Um monumento copiado em todo o mundo
Dois arquitetos ingleses, James Stuart e Nicholas Revett, publicaram em 1762 desenhos rigorosos do monumento, que depressa se tornou um modelo favorito do neogrego. Há versões dele no topo do Dugald Stewart Monument e do Burns Monument em Edimburgo, do Merchants’ Exchange em Filadélfia e do Capitólio do Tennessee em Nashville, e inspirou o Soldiers’ and Sailors’ Monument de Nova Iorque. Diz-se que Lord Elgin tentou adquiri-lo, sem sucesso, e é por isso que ainda está em Atenas.
Dicas para a tua visita
- Vem ao fim da tarde ou à noite, quando a praça está à sombra, os cafés enchem e o mármore brilha com a luz baixa.
- Dá a volta à vedação: o friso conta a sua história a toda a volta, e as cenas estão viradas para ruas diferentes.
- Junta-lhe um passeio pela rua Tripodon, que segue o traçado da antiga rua dos Tripés.
Perto daqui
- Museu da Acrópole: o museu moderno no sopé da Acrópole, com o friso do Pártenon e as Cariátides, a poucos minutos a pé.
- Arco de Adriano: a porta romana na avenida Amalias, que marcava a fronteira entre a cidade velha e o novo bairro do imperador.
- Anafiotika: um pequeno bairro de casas caiadas ao estilo das ilhas, agarradas à encosta da Acrópole acima de Plaka.
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Factos verificados em outubro de 2026.
