
O centro histórico de Palma é pequeno o suficiente para atravessar a pé, e os seus melhores lugares ficam numa só linha que desce das praças do mercado até ao mar. Este guia apresenta seis: três igrejas com histórias muito diferentes, a catedral à beira-mar, a bolsa onde se geria o comércio de Palma e o parque de Sa Feixina, junto às antigas muralhas.
Santa Eulàlia
Santa Eulàlia, dedicada a Santa Eulália de Barcelona, é uma igreja paroquial perto da Plaça Major. O seu lugar na história de Maiorca ficou marcado a 12 de setembro de 1276, quando Jaime II, filho de Jaime I, o Conquistador, foi aqui coroado rei de Maiorca e jurou respeitar os privilégios e a carta de franquias do reino.
No interior, a igreja tem três naves, sendo a central a mais alta, e um deambulatório com sete capelas, entre elas a do Santo Cristo de la Conquista. O altar-mor barroco é obra de um frade dominicano, Alberto de Burguny. A igreja é património protegido desde 1931.
- Olha para os terraços à volta da igreja: as gárgulas formam um bestiário medieval de dragões, harpias e basiliscos.
- A alta torre sineira com o seu remate pontiagudo é muito mais recente do que a igreja; data do século XIX.
Basílica de Sant Francesc
Muito perto, a basílica franciscana de Sant Francesc foi uma das grandes obras apoiadas pelo rei Jaime II de Maiorca, que também apoiou a igreja dominicana de Sant Domingo. Guarda um dos túmulos mais importantes da ilha.
Aqui está sepultado Ramon Llull, o filósofo, místico e escritor maiorquino que morreu em 1316; o seu túmulo foi feito em 1448. O convento tem também uma ligação à Califórnia: Junípero Serra, nascido em 1713 na aldeia maiorquina de Petra, estudou filosofia com os franciscanos em Palma e mais tarde deu um curso de filosofia de três anos no Convento de San Francisco antes de partir como missionário. Foi canonizado em 2015.
- Lá dentro, procura o túmulo de Ramon Llull, a principal razão por que muitos maiorquinos vêm aqui.
Església de Monti-sion
Monti-sion é a igreja do colégio jesuíta de Palma, a poucos passos de Sant Francesc. O seu residente mais conhecido foi Afonso Rodríguez, irmão leigo jesuíta que chegou como noviço ao colégio recém-fundado e foi o seu porteiro durante 46 anos: recebia os visitantes, levava recados e distribuía esmolas. Morreu em Palma a 31 de outubro de 1617, aos 85 anos, e foi canonizado em 1888. O jovem Pedro Claver viveu algum tempo com ele em Maiorca e, por conselho seu, pediu para ser enviado para as missões da América do Sul.
- O colégio jesuíta de Palma é o principal santuário de Santo Afonso Rodríguez, por isso a igreja é tanto um lugar de peregrinação como um ponto a visitar.
Catedral de Maiorca (La Seu)
A catedral, conhecida em Maiorca simplesmente como La Seu, ergue-se junto ao mar, entre o palácio real da Almudaina e o Paço Episcopal. As obras começaram após a conquista cristã de 1229, o local foi consagrado em 1230 e o edifício só ficou concluído em 1601. A torre sineira foi terminada em 1498 e a fachada oeste foi refeita em estilo neogótico no século XIX.
Dois nomes famosos mudaram o interior. Antoni Gaudí foi convidado em 1903 para dirigir um restauro: mudou o cadeiral do coro para as paredes laterais do presbitério e desenhou o grande baldaquino suspenso sobre o altar, até que desentendimentos com as autoridades pararam as obras em 1914. Entre 2001 e 2006, o artista Miquel Barceló transformou a capela de Sant Pere e do Santíssimo Sacramento, revestindo a abside de cerâmica italiana e acrescentando vitrais em grisalha.
- A grande rosácea, com quase 14 metros de diâmetro, é muitas vezes descrita como a segunda maior rosácea gótica do mundo, depois da de Estrasburgo.
- O baldaquino de Gaudí sobre o altar-mor e a capela de cerâmica de Barceló são as duas obras modernas num interior medieval; tenta ver ambas.
La Llotja
Junto ao antigo porto fica La Llotja, a bolsa dos mercadores de Palma. Desenhada por Guillem Sagrera, foi construída entre 1426 e 1452 como sede do Colégio dos Mercadores; Sagrera partiu para Nápoles em 1447 depois de um conflito com os empreiteiros, e outro mestre terminou a obra. Bolsas como esta surgiram a partir do século XIV com o crescimento do comércio marítimo, e no século XV este edifício serviu também de sede ao governo da ilha.
O interior é uma única grande sala gótica. As abóbadas assentam em seis finas colunas helicoidais sem base nem capitel, que se abrem no topo, de modo que a sala parece um bosque de palmeiras de pedra.
- Por cima da porta principal, procura o anjo da guarda com uma faixa que o designa defensor do comércio, colocado ali para proteger os mercadores que pagaram o edifício.
- Repara nas portas do lado do mar: dão para uma escada em caracol que sobe até ao terraço da cobertura.
Parc de Sa Feixina
A oeste do centro histórico, ao lado do bairro de Santa Catalina e perto da marginal, Sa Feixina é um dos principais parques urbanos de Palma. O local teve muitas vidas: durante a Guerra Civil Espanhola tornou-se quartel, entre 1963 e 1974 acolheu a feira oficial da ilha e em 1991 foi remodelado na forma atual. Hoje cruzam-se aqui skaters, famílias, moradores e visitantes.
O alto monumento do parque foi inaugurado em 1947, durante a ditadura de Franco, em memória dos marinheiros do cruzador Baleares, afundado a 6 de março de 1938 na batalha do cabo de Palos, durante a Guerra Civil; 765 dos 1206 tripulantes morreram ou ficaram desaparecidos. Lembra um capítulo duro da história de Espanha, por isso tira um momento para o ver com isso em mente.
Como vê-los num só passeio
Começa na Plaça d’Espanya, onde o comboio de Sóller, em funcionamento desde 1911, parte de uma estação ao lado do parque e uma estátua de Jaime I se ergue no centro da praça. Desce até à Plaça Major, com as suas arcadas, construída onde a Inquisição teve a sua sede até 1823, e segue para Santa Eulàlia, Sant Francesc e Monti-sion. Daí desce até à catedral e à Plaça de la Reina, segue a beira-mar até La Llotja e termina no verde de Sa Feixina.
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Factos verificados em outubro de 2026.
