
Saint-Nizier é a igreja gótica de duas torres diferentes na Presqu’île de Lyon, a poucos minutos a pé da Place des Terreaux. Ergue-se num dos lugares cristãos mais antigos da cidade, onde foram sepultados os primeiros bispos de Lyon, e o edifício atual levou mais de dois séculos a ficar pronto. Em junho de 1975 foi notícia em toda a França quando as prostitutas do bairro a ocuparam.
A igreja de Saint-Nizier em resumo
- Onde: Place Saint-Nizier, na Presqu’île, no 2.º bairro, entre a Place des Terreaux e a Place des Jacobins.
- Construída: do século XIV até cerca de 1590, em gótico flamejante; a torre sul e a cripta foram acrescentadas no século XIX.
- O que é hoje: uma igreja paroquial católica em funcionamento, classificada como monumento histórico desde 1840.
- Tempo necessário: 20 a 30 minutos para a nave, as capelas laterais e a cripta.
Da igreja dos bispos à paróquia gótica
A tradição liga o local aos mártires de Lyon do ano 177. No século V, o bispo Euquério mandou construir aqui uma basílica para as suas relíquias e, no século VI, vários bispos de Lyon foram aqui sepultados, entre eles Nicécio, Nizier em francês, que morreu em 573 e deu o nome à igreja. Foi danificada por saqueadores no século VIII, reconstruída no IX e, na Idade Média, tornou-se a paróquia dos mercadores e artesãos da Presqu’île.
A igreja gótica que vês hoje começou a ser construída no século XIV e só ficou pronta por volta de 1590, atrasada por guerras e epidemias. Nessa altura tinha uma só torre. Nas guerras de religião, tropas huguenotes pilharam os túmulos dos bispos e, durante a Revolução Francesa, a igreja ficou muito danificada e serviu de armazém de farinha. No século XIX, os restauradores acrescentaram a torre sul neogótica, novos vitrais e a cripta; é por isso que as duas torres da fachada só se parecem à primeira vista.
O que observar
- As duas torres: a torre norte é a gótica original, a torre sul a sua parceira do século XIX. Compara as silhuetas e a cor da pedra.
- O portal central: uma entrada renascentista encaixada na fachada gótica, atribuída ao arquiteto Philibert de l’Orme.
- A Virgem da capela de Notre-Dame de Grâce, uma estátua barroca atribuída a Antoine Coysevox, o escultor de Luís XIV nascido em Lyon.
- Os vitrais de Lucien Bégule na capela da Trindade, do lado norte, feitos em 1894, um de vários conjuntos de vitrais dos séculos XIX e XX.
- Os mosaicos de Gaspard Poncet com a Virgem Maria e os 48 mártires de Lyon.
- A cripta sob o altar-mor, com mosaicos do século XIX e a capela de Pauline-Marie Jaricot, a lionesa que fundou a Obra da Propagação da Fé e foi beatificada em 2022. Está sepultada na igreja e, em 2025, foi inaugurada uma nova estátua sua.
A igreja ocupada pelas prostitutas
A 2 de junho de 1975, cerca de cem prostitutas das ruas vizinhas fecharam-se dentro de Saint-Nizier em protesto contra o assédio e as multas da polícia. A ocupação durou vários dias até a polícia evacuar o edifício, e essa data é hoje assinalada em todo o mundo como o Dia Internacional das Trabalhadoras do Sexo. Em junho de 2002 a igreja voltou a ser ocupada, desta vez por imigrantes sem documentos, durante mais de dez dias.
Dicas para a tua visita
- Saint-Nizier é uma paróquia ativa: vem fora das horas de missa, fala baixo e veste-te como em qualquer igreja.
- Para uma fotografia da fachada inteira com as duas torres, recua até ao outro lado da Place Saint-Nizier; de perto, as torres mal cabem no enquadramento.
- Saint-Nizier era a igreja paroquial da cidade e Saint-Jean, do outro lado do Saône, a catedral do arcebispo. Ver as duas no mesmo passeio mostra as duas faces da vida religiosa da velha Lyon.
Perto daqui
- Place des Terreaux: a grande praça com a fonte Bartholdi, a câmara municipal e o Musée des Beaux-Arts, a poucos minutos a pé para norte.
- Rue Mercière: uma das ruas mais antigas da Presqu’île, cheia de restaurantes e velhas casas de mercadores.
- Fresque des Lyonnais: um enorme mural pintado nos cais do Saône com figuras famosas da história de Lyon, dos imperadores romanos aos irmãos Lumière.
- Vieux Lyon: a cidade velha renascentista na outra margem do Saône, com as suas traboules (passagens cobertas) e a catedral de Saint-Jean.
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Factos verificados em outubro de 2026.
