
De Letters van Utrecht é um poema que nunca acaba, gravado letra a letra nas pedras da calçada do cais ao longo do canal Oudegracht. Todos os sábados, um canteiro grava uma letra nova na pedra seguinte, e a ideia é continuar enquanto houver sábados. O texto cresce cerca de cinco metros por ano, e ninguém além do poeta em funções sabe quais serão as próximas palavras.
De Letters van Utrecht em resumo
- Onde: no cais do Oudegracht, junto à água, no centro da cidade; a linha de letras começa perto da Lange Smeestraat.
- Criado: inaugurado a 2 de junho de 2012, com as primeiras 648 pedras colocadas de uma vez, uma por cada sábado desde 1 de janeiro de 2000.
- Por: poetas da Guilda de Poetas da Cidade de Utrecht, com um tipo de letra criado para o projeto por Hanneke Verheijke; as letras são gravadas pelos canteiros da guilda Lettertijd.
- O que é hoje: uma obra de arte pública viva, gerida por uma fundação sem fins lucrativos de voluntários e paga por pessoas que patrocinam letras individuais.
- Tempo necessário: 15–20 minutos para percorrer a linha e ler algumas pedras; mais se vieres ver a gravação de sábado.
Um poema para quem ainda não nasceu
A primeira parte do poema foi escrita por Ruben van Gogh, Ingmar Heytze, Chrétien Breukers, Alexis de Roode e Ellen Deckwitz. De poucos em poucos anos, outro poeta assume: Mark Boog em 2013, o poeta iraquiano-neerlandês Baban Kirkuki em 2015, Vicky Francken em 2018, Anne Broeksma em 2022 e Hanneke van Eijken a partir de 2025. Na inauguração, o então presidente da câmara, Aleid Wolfsen, ajudou a fazer a letra 649, a primeira gravada no local.
O projeto nasceu da ideia de pensar em gerações e não ao ritmo das notícias. Inspirou-se no relógio dos 10 000 anos da Long Now Foundation, que enviou uma pedra da Sierra Diablo, no Texas, onde o relógio está a ser construído; hoje tem a letra número 1, um “J”. Pedras com anos marcam o percurso futuro, pelo que a linha funciona também como régua do tempo, e se o projeto durar o suficiente, o poema há de desenhar um dia as letras U e T no mapa da cidade.
O que observar
- As próprias letras: um carácter por pedra, gravado num tipo de letra criado só para este poema.
- As faces laterais das pedras, onde os patrocinadores mandaram gravar um nome ou uma dedicatória em troca do seu apoio.
- As pedras com anos que marcam o percurso futuro do poema, muito para lá da última letra gravada.
- A letra mais recente no fim da linha, muitas vezes mais nítida e clara do que as pedras antigas e gastas.
- Ao sábado, no início da tarde, o canteiro a trabalhar, gravando à mão a letra da semana.
Ler o poema
O texto está em neerlandês e segue sem mudanças de linha, por isso lê-lo no local exige paciência. Foram publicadas traduções de partes anteriores, incluindo uma na revista Smithsonian em 2018, e a fundação disponibiliza o texto completo até agora. Ler mesmo só um pequeno troço junto ao canal mostra como o poema cresce devagar: uma frase média demora cerca de três anos a aparecer.
Dicas para a tua visita
- Anda pelo cais e não pela rua de cima: as letras estão ao nível da água, junto ao canal e às antigas caves do cais.
- Vem num sábado ao início da tarde se quiseres ver nascer uma letra; nos outros dias a linha está mais sossegada e lê-se melhor.
- Vê onde pões os pés e dá passagem a ciclistas e esplanadas no cais estreito.
- Combina a visita com um passeio ao longo do Oudegracht até à Torre da Catedral (Domtoren), a poucos minutos.
Perto daqui
- Torre da Catedral (Domtoren): o campanário mais alto dos Países Baixos e símbolo de Utrecht, um pouco a norte.
- Museum Speelklok: um museu de instrumentos musicais automáticos, de realejos a caixas de música, instalado numa igreja medieval.
- Caves do cais do Oudegracht: os antigos armazéns por baixo da rua, hoje cafés e restaurantes ao nível da água.
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Factos verificados em outubro de 2026.
