
Este guia percorre as duas pontas da nossa caça ao tesouro de Nova Orleães: Spanish Plaza, junto ao Mississippi no fim de Canal Street, onde o percurso começa, e o Louis Armstrong Park com Congo Square, na orla do bairro de Tremé, onde termina. Entre eles fica o French Quarter, mas estes lugares contam outra história: a do comércio fluvial que fez crescer a cidade e a da música africana e crioula que nasceu mesmo à porta das suas antigas muralhas.
Spanish Plaza
Spanish Plaza é uma praça aberta junto ao rio, onde Canal Street encontra o Mississippi. O nome lembra as décadas em que a Luisiana pertenceu a Espanha: a França cedeu secretamente a colónia a Espanha pelo Tratado de Fontainebleau, em 1762, e funcionários espanhóis governaram Nova Orleães até à devolução formal à França no Cabildo, a 30 de novembro de 1803, apenas três semanas antes de o território passar para os Estados Unidos com a compra da Luisiana. O domínio espanhol deixou mais do que um nome. Depois dos grandes incêndios de 1788 e 1794, que destruíram quase toda a cidade de madeira, o French Quarter foi reconstruído à maneira espanhola, com paredes de pedra, pátios, arcadas e telhados de ardósia.
Hoje a praça é um sítio para ver navios e ferries no Mississippi e recebe concertos e eventos sazonais. Logo atrás fica o Outlet Collection at Riverwalk. O edifício abriu em 1986 como Riverwalk Marketplace, em terrenos junto ao rio libertados pela Exposição Mundial da Luisiana de 1984, e reabriu como outlet em 2014. A 14 de dezembro de 1996, um cargueiro, o Bright Field, ficou sem energia e embateu contra ele; não houve mortos, mas houve dezenas de feridos, e uma placa no centro comercial assinala o local.
- A torre do número 2 de Canal Street, projetada por Edward Durell Stone e inaugurada em 1968 como International Trade Mart. Durante décadas foi o World Trade Center de Nova Orleães e desde 2021 é um hotel Four Seasons.
- O cais do Canal Street Ferry ali perto, com barcos que atravessam o rio até Algiers Point, um bairro do século XVIII na margem oeste.
Louis Armstrong Park
O Louis Armstrong Park ocupa cerca de 13 hectares em Tremé, em frente ao French Quarter, do outro lado de Rampart Street. A sua história não é feliz. Nos anos 60, um projeto de renovação urbana arrasou aqui grande parte do antigo bairro e, depois de cerca de uma década de debate, a cidade transformou o terreno vazio num parque, projetado pelo arquiteto local Robin Riley e batizado com o nome do trompetista Louis Armstrong, nascido na cidade. Os moradores ainda discutem o assunto: alguns querem que se retire a vedação alta à volta do parque e que os grandes parques de estacionamento nas traseiras se tornem espaços verdes.
O parque tem duas grandes salas de espetáculos. O New Orleans Municipal Auditorium foi construído nos anos 20, muito antes do parque. O Mahalia Jackson Theater, com o nome da cantora de gospel nascida em Nova Orleães, abriu em 1973 com o Requiem de Verdi e tem cerca de 2100 lugares. Em 2005 o furacão Katrina deixou-o debaixo de mais de quatro metros de água, e reabriu em janeiro de 2009; hoje é a sala da New Orleans Ballet Association e da New Orleans Opera. Vários edifícios do parque pertencem ao New Orleans Jazz National Historical Park, criado em 1994. O parque é a penúltima paragem da nossa caça ao tesouro.
- A estátua de Louis Armstrong com quase quatro metros de altura, da escultora Elizabeth Catlett.
- O busto do clarinetista e saxofonista Sidney Bechet, outro pioneiro do jazz de Nova Orleães.
- A figura de Buddy Bolden, o cornetista dos primeiríssimos tempos do jazz.
Congo Square
Congo Square é o espaço aberto em frente ao Municipal Auditorium, na esquina de Rampart Street com St. Peter Street, e é a última paragem da nossa caça ao tesouro. Segundo o Código Negro francês de 1724, os africanos escravizados tinham o domingo livre, e em 1817 uma postura municipal limitou os seus encontros a este único lugar. Aos domingos, centenas de pessoas juntavam-se aqui para negociar num mercado, cantar, tocar tambor e dançar a bamboula, a calinda e outras danças de raiz africana; alguns ganhavam dinheiro que os ajudava a comprar a liberdade. Em 1819, o arquiteto Benjamin Latrobe estimou entre 500 e 600 pessoas num destes encontros. A praça chamou-se depois Place des Nègres, Place Publique e Circus Square, mas quase toda a gente dizia simplesmente Congo Square, por causa dos muitos bakongo entre os escravizados.
As danças de domingo desapareceram antes da Guerra Civil, e em 1893 a cidade deu à praça o nome do general confederado P. G. T. Beauregard, em parte para desencorajar grandes ajuntamentos. Os habitantes continuaram a usar o nome antigo, e em 2011 a câmara municipal repô-lo oficialmente. A praça está inscrita no Registo Nacional de Lugares Históricos desde 1993, e em 1970 recebeu o primeiro New Orleans Jazz and Heritage Festival, antes de o festival se mudar para os Fairgrounds. O compositor Louis Moreau Gottschalk usou os seus ritmos na peça para piano Bamboula.
- Aos domingos, a Congo Square Preservation Society, fundada pelo percussionista Luther Gray, organiza aqui rodas de tambores e danças, mantendo viva a velha tradição.
- Segundo o folclore, e não a história documentada, a sacerdotisa vudu Marie Laveau dirigia danças na praça na década de 1830, e à meia-noite, nas noites sem lua, derramavam-se oferendas nos seus quatro cantos.
Tremé à volta do parque
As ruas à volta do parque pertencem ao Faubourg Tremé, traçado na década de 1810 em terras de Claude Tremé, que lhe deu o nome. É um dos bairros mais antigos de Nova Orleães e foi, no início, o principal bairro das pessoas livres de cor da cidade. Algumas fontes chamam-lhe o bairro de maioria negra mais antigo dos Estados Unidos. A igreja de St. Augustine é descrita como a mais antiga paróquia católica afro-americana do país.
Tremé não faz parte do percurso da nossa caça ao tesouro, mas merece uma volta quando terminares em Congo Square. Storyville, o antigo bairro da prostituição da cidade, foi separado da parte alta de Tremé no fim do século XIX e demolido nos anos 40. O bairro deu também nome à série de televisão Treme, passada nos anos a seguir ao furacão Katrina.
Como vê-los num só passeio
Começa em Spanish Plaza a olhar para o rio e depois sobe Canal Street. Entra no French Quarter e segue os parques e ruas junto ao rio até Jackson Square e ao French Market; depois vira para o interior em direção a Rampart Street. O Louis Armstrong Park fica logo do outro lado de Rampart; Congo Square é o espaço aberto em frente ao Municipal Auditorium, e as estátuas e o Mahalia Jackson Theater ficam no parque à volta. Se ainda tiveres tempo, continua a pé por Tremé. Visita o parque de dia e, se puderes, vem num domingo à tarde para ouvir os tambores de Congo Square.
Descobre Nova Orleães com a World City Trail
A nossa caça ao tesouro de Nova Orleães transforma a cidade num jogo que jogas no telemóvel. O percurso liga 10 paragens, começa em Spanish Plaza junto ao rio e termina em Congo Square, com o Louis Armstrong Park como paragem anterior. Pelo caminho passa por Caesars New Orleans, o Audubon Aquarium, o Woldenberg Park, Jackson Square, a Catedral de São Luís, o French Market e o Lafitte’s Blacksmith Shop Bar. Em cada paragem resolves um enigma e descobres uma história, ao teu ritmo.
Em Nova Orleães há também uma visita a pé autoguiada e um escape game ao ar livre, para quem prefere outro formato.
Jogar a caça ao tesouro de Nova Orleães →
Faz a visita a pé autoguiada por Nova Orleães →
Jogar o escape game ao ar livre em Nova Orleães →
Factos verificados em outubro de 2026.
