Sé de Braga: mais velha que Portugal, órgãos gémeos e túmulos reais

Braga Cathedral (Sé de Braga) in Portugal

A Sé de Braga é a catedral mais antiga de Portugal: a construção começou no final do século XI e a igreja foi sagrada em 1089, décadas antes de Portugal se tornar reino. Ergue-se no meio do centro histórico, uma manta de retalhos de românico, gótico, manuelino e barroco. Lá dentro repousam os pais do primeiro rei de Portugal, e dois órgãos dourados do século XVIII estão frente a frente, muito acima da nave.

A Sé de Braga num relance

  • Onde: no centro histórico de Braga, a poucos minutos a pé a poente da Praça da República.
  • Construída: a partir do final do século XI, sob o bispo D. Pedro, sobre os restos de uma igreja anterior; sagrada a 28 de agosto de 1089, com grandes acrescentos até ao século XVIII.
  • Hoje: a catedral da Arquidiocese de Braga, ainda ao serviço do culto e casa de uma liturgia antiga própria, o rito bracarense, com capelas e um Tesouro-Museu abertos aos visitantes.
  • Tempo necessário: 20 minutos para a igreja; 1–1,5 horas com as capelas, o coro alto e o Tesouro-Museu.

Mais velha que o reino

Braga já era uma cidade importante no tempo dos romanos, como Bracara Augusta, e sede de bispo muito antes da catedral atual. Quando a diocese foi restaurada depois da Reconquista, o bispo D. Pedro começou uma nova catedral românica no lugar de uma igreja mais antiga e sagrou-a em 1089. O reino de Portugal ainda não existia: o Condado Portucalense era governado por D. Henrique de Borgonha e pela mulher, D. Teresa de Leão, e foi o filho de ambos, D. Afonso Henriques, que se tornou no século XII o primeiro rei de Portugal. D. Henrique e D. Teresa estão sepultados na Sé, na Capela dos Reis.

Nos séculos seguintes cada época deixou a sua marca. Nos séculos XIV e XV construíram-se capelas góticas, entre elas a Capela da Glória, com o túmulo do arcebispo D. Gonçalo Pereira. No final do século XV acrescentou-se à entrada principal um alpendre gótico, a Galilé, e no início do século XVI o arcebispo D. Diogo de Sousa mandou reconstruir a capela-mor em estilo manuelino. O século XVIII trouxe a talha dourada barroca e os dois grandes órgãos. O resultado não é um estilo único mas um edifício que se lê como uma linha do tempo, e é por isso que se diz de tudo o que é antiquíssimo que é «mais velho que a Sé de Braga».

O que observar

  • Os dois órgãos: frente a frente no coro alto, sobre a nave; o do lado do Evangelho é de 1737 e o do lado da Epístola de 1739, ambos em caixas ricamente entalhadas e douradas.
  • A Capela dos Reis: os túmulos de D. Henrique de Borgonha e D. Teresa de Leão, pais de D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal.
  • A Capela da Glória: uma capela gótica com o túmulo do arcebispo D. Gonçalo Pereira, cuja figura jacente esculpida repousa sobre a arca.
  • O túmulo do infante D. Afonso, filho do rei D. João I e de D. Filipa de Lencastre.
  • Nossa Senhora do Leite: por fora, na cabeceira, uma estátua renascentista da Virgem a amamentar o Menino, sob um baldaquino de pedra.
  • O Tesouro-Museu: arte sacra da arquidiocese, incluindo a cruz que, segundo a tradição, foi usada na primeira missa celebrada no Brasil, em 1500, pela armada de Pedro Álvares Cabral.

O Primaz das Espanhas

Braga é muitas vezes chamada a «Roma portuguesa» pelas muitas igrejas, e o seu arcebispo mantém o antigo título de Primaz das Espanhas, uma precedência sobre os outros bispos da Península Ibérica que remonta à Idade Média e foi durante muito tempo disputada com Toledo. A Sé conservou também a sua própria forma da missa latina, o rito bracarense, que sobreviveu às reformas que uniformizaram a liturgia católica noutros lugares e que ainda hoje se celebra.

Dicas para a tua visita

  • Os órgãos veem-se melhor do coro alto, a que chegas na visita às capelas e ao museu; vale bem o tempo extra.
  • Dá a volta por fora até à cabeceira para encontrares a Nossa Senhora do Leite; a maioria sai pela porta principal e não a vê.
  • É uma catedral em uso: veste-te com recato e não andes a passear durante a missa. Na Semana Santa, a maior festa de Braga, a Sé está no centro das procissões e fica muito cheia.

Perto daqui

  • Praça da República: a praça principal de Braga, com o seu chafariz e as arcadas dos velhos cafés, a poucos minutos a pé para nascente.
  • Jardim de Santa Bárbara: um pequeno jardim de canteiros floridos junto à ala medieval do Paço Arquiepiscopal, a poucos minutos a pé.
  • Arco da Porta Nova: a porta monumental do século XVIII no lado poente do centro histórico, a uma curta caminhada.
  • Palácio dos Biscainhos: uma casa nobre barroca transformada em museu, com tetos pintados e jardins, a uma curta caminhada para poente.

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Factos verificados em outubro de 2026.

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