
A Trimartiri é a catedral ortodoxa grega de Chania, a igreja da Apresentação da Virgem na rua Halidon, a rua principal que desce pela cidade velha até ao porto veneziano. A fachada clara e o alto campanário dão para uma pequena praça. Durante cerca de dois séculos de domínio otomano, a igreja mais antiga que aqui existia foi uma fábrica de sabão, e a forma como voltou a ser igreja é uma das histórias preferidas da cidade.
A catedral Trimartiri num relance
- Onde: na rua Halidon, na cidade velha de Chania, em frente à praça Athenagoras (também chamada praça Mitropoleos), a poucos minutos a pé do porto veneziano.
- Construída: por volta de 1850–1860, no lugar de uma igreja muito mais antiga; concluída em 1860.
- O que é hoje: a catedral da Metrópole de Kydonia e Apokoronas e a igreja da padroeira de Chania, a Virgem da Apresentação.
- Tempo necessário: 15–20 minutos lá dentro e na praça, mais durante uma celebração.
De fábrica de sabão a catedral
Existe aqui uma igreja dedicada à Virgem pelo menos desde a época veneziana; algumas fontes datam a primeira do século XIV. Depois de os otomanos conquistarem Chania em 1645, o edifício passou a fábrica de sabão, com as caldeiras onde hoje está o campanário. Segundo a tradição, o ícone da Apresentação da Virgem sobreviveu num armazém da fábrica, com uma lamparina de azeite sempre acesa à frente. A fábrica acabou por falir e, em meados do século XIX, as autoridades otomanas devolveram o terreno à comunidade cristã. A nova igreja de três naves ficou pronta em 1860.
A catedral ficou muito danificada durante a revolta cretense de 1897 e foi reparada a expensas do czar da Rússia, que também ofereceu o sino. Em maio de 1941, durante a Batalha de Creta, foi atingida por bombas alemãs, sendo restaurada depois da guerra. Em 1947 a sua festa, a 21 de novembro, tornou-se a festa oficial da cidade, e continua a ser feriado local em Chania.
O que observar
- O campanário no lado nordeste, mais ou menos onde ferviam as caldeiras de sabão; lá dentro está pendurado o sino do czar.
- As três naves: a central é dedicada à Apresentação da Virgem, a norte a São Nicolau e a sul aos Três Hierarcas.
- Os toques venezianos no interior: pilastras esculpidas, cornijas e arcos que lembram a arquitetura cretense mais antiga, e uma galeria das mulheres sobre as naves laterais.
- Os grandes ícones da parede leste, pintados por artistas cretenses, e o antigo ícone da Virgem guardado no nártex.
- A estátua do patriarca ecuménico Atenágoras na praça em frente, que tem o seu nome.
A lenda do poço
Duas histórias explicam como a igreja voltou aos cristãos, e ambas são contadas como lendas. Numa, um operário da fábrica teve uma visão da Virgem, deixou o trabalho e levou o ícone consigo. Na outra, o filho de um paxá caiu num poço logo a sul do edifício; o pai rezou à Virgem, a criança foi retirada com vida e o paxá, agradecido, devolveu a igreja e ajudou a pagar uma nova. A maioria das versões identifica-o com Mustafá Paxá, governador otomano de Creta que mais tarde foi grão-vizir.
Dicas para a tua visita
- Veste-te com recato, com ombros e joelhos tapados, e fala baixo: é uma catedral em funcionamento, com celebrações diárias.
- Vem a 21 de novembro para ver a maior festa religiosa da cidade, com procissão e a praça cheia de gente.
- Para fotografar toda a fachada com o campanário, põe-te do outro lado da praça; a luz da manhã é a melhor.
Perto daqui
- Porto veneziano: o velho porto com o farol e a mesquita de Küçük Hasan, a poucos minutos descendo a rua Halidon.
- Rua Skridlof: a ruela estreita ao lado da catedral, conhecida pelas oficinas e lojas de couro.
- Sinagoga Etz Hayyim: a sinagoga restaurada do antigo bairro judeu de Chania, a uma curta caminhada, um lugar tranquilo com jardim.
- Igreja católica: a igreja dedicada à Virgem na rua Halidon, construída no lugar de um convento de capuchinhos.
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Factos verificados em outubro de 2026.
