
As Três Flechas (Le Tre Frecce) são três flechas finas cravadas no teto de madeira do pórtico da Casa Isolani, uma casa do século XIII no número 19 da Strada Maggiore, em Bolonha. Ninguém sabe ao certo como foram lá parar, e a cidade tem várias histórias para o explicar. Encontrá-las já é um pequeno jogo: a maioria das pessoas passa mesmo por baixo sem as ver.
As Três Flechas em resumo
- Onde: Strada Maggiore 19, debaixo do pórtico da Casa Isolani, a poucos minutos a pé a leste das Duas Torres.
- Construção: a casa em meados do século XIII; não se sabe quando apareceram as flechas.
- O que é hoje: um edifício privado cujo alto pórtico de madeira faz parte da rede de pórticos de Bolonha, Património Mundial da UNESCO desde 2021.
- Tempo necessário: 5–10 minutos, mais se continuares pela Corte Isolani até à Piazza Santo Stefano.
Uma casa medieval na antiga Via Emília
A Strada Maggiore segue o traçado da Via Emília romana, a estrada que atravessava Bolonha e deu nome à Emília-Romanha, e é desde então uma das ruas principais da cidade. A Casa Isolani é uma das raras casas particulares de Bolonha que chegaram até nós desde o século XIII. O andar de cima assenta num pórtico de pilares de tijolo e vigas de carvalho com cerca de nove metros de altura, descritas como as mais altas da cidade, uma lembrança dos pórticos medievais de madeira, anteriores aos de pedra e tijolo.
A casa deve o nome aos Isolani, uma família de condes que no século XIX era dona de um grande quarteirão entre a Strada Maggiore e a Piazza Santo Stefano. Foi restaurada em 1877 pelo pintor e engenheiro Raffaele Faccioli, e desde os anos 1990 os pátios que ficam por trás formam a Corte Isolani, uma passagem de lojas e cafés que liga a Strada Maggiore à Piazza Santo Stefano.
O que observar
- As próprias flechas: põe-te debaixo do pórtico e percorre devagar o teto de madeira com o olhar. São finas e escuras, fáceis de confundir com pregos ou lascas.
- As altas vigas de carvalho e os pilares de tijolo do pórtico, bem mais altos do que os pórticos das casas vizinhas.
- A fachada do século XIII lá em cima, com janelas de um e dois vãos cujos arcos foram restaurados no século XX.
- A entrada da Corte Isolani, a passagem que atravessa o quarteirão até à Piazza Santo Stefano.
- A longa fila de pórticos ao longo da Strada Maggiore, das Duas Torres até à basílica de Santa Maria dei Servi.
As lendas das três flechas
A história mais conhecida é uma lenda. Três assassinos tinham sido contratados para matar um membro da família nobre que vivia aqui; nalgumas versões, a vítima tinha sido acusada de adultério por um cônjuge ciumento. Quando faziam pontaria, uma mulher apareceu nua a uma janela, os arqueiros ficaram tão espantados que falharam, e as flechas ficaram cravadas no teto do pórtico. Outra versão fala de uma luta entre duas famílias nobres e os seus guardas. Uma teoria mais prosaica aponta para o restauro de 1877 e sugere que as flechas foram acrescentadas depois, talvez por brincadeira de estudantes. Nenhuma destas histórias pode ser provada.
Dicas para a tua visita
- Olha para cima com calma e dá um momento aos olhos: as flechas estão na sombra das vigas. O zoom da câmara do telemóvel ajuda.
- Não tentes tocar nem arrancar as flechas: o pórtico pertence a um edifício privado e protegido.
- Vem de dia; à noite, debaixo do pórtico, as flechas são muito mais difíceis de ver.
- Atravessa a Corte Isolani até à Piazza Santo Stefano em vez de voltares pelo mesmo caminho.
Perto daqui
- Basílica de Santo Stefano: o conjunto de igrejas conhecido como as Sete Igrejas, na triangular Piazza Santo Stefano, atrás da Corte Isolani.
- Duas Torres: a Asinelli e a Garisenda, a poucos minutos a pé para oeste. A inclinada Garisenda está a ser consolidada, com obras previstas pelo menos até 2028, e a zona junto à base está vedada; confirma antes de ir.
- Basílica de Santa Maria dei Servi: uma igreja gótica mais a leste na Strada Maggiore, com um largo pórtico de arcos à frente.
- Piazza Maggiore: a praça principal de Bolonha, um pouco a oeste, com a basílica de San Petronio e a Fonte de Neptuno.
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Factos verificados em outubro de 2026.
