
No St. Louis Cemetery No. 1, o cemitério mais antigo de Nova Orleães, ergue-se entre jazigos de família gastos pelo tempo uma pirâmide de um branco reluzente com cerca de 2,7 metros de altura. Pertence ao ator Nicolas Cage, que a mandou construir em 2010 para ser a sua futura sepultura. Ainda não tem nome nem datas, apenas três palavras em latim num dos lados: «Omnia Ab Uno», «tudo a partir de um».
O túmulo em pirâmide de Nicolas Cage em resumo
- Onde: St. Louis Cemetery No. 1, Basin Street, na orla do French Quarter, perto de Tremé.
- Construído: em 2010, depois de Cage ter comprado duas sepulturas no cemitério.
- O que é hoje: um túmulo vazio num cemitério católico ainda em uso, gerido pela Arquidiocese de Nova Orleães. Desde 2015 só se pode entrar numa visita com um guia licenciado, a não ser para visitar a sepultura de um familiar.
- Tempo necessário: alguns minutos junto à pirâmide, durante uma visita guiada ao cemitério.
Um túmulo de Hollywood no cemitério mais antigo da cidade
O St. Louis Cemetery No. 1 abriu em 1789, quando a Luisiana era uma colónia espanhola. Os túmulos estão acima do solo, como na maioria dos cemitérios antigos de Nova Orleães, uma cidade em grande parte abaixo do nível do mar. Muitos dos nomes mais conhecidos da cidade estão aqui sepultados, entre eles Marie Laveau, sacerdotisa vudu do século XIX que morreu em 1881, e Homer Plessy, cuja detenção em 1892 numa carruagem só para brancos levou, em 1896, à decisão Plessy v. Ferguson do Supremo Tribunal, que validou a segregação «separados mas iguais».
Cage viveu algum tempo em Nova Orleães nos anos 2000 e teve lá propriedades, entre elas a LaLaurie Mansion no French Quarter, uma casa de história sombria com fama de assombrada. Perdeu-a, juntamente com as outras propriedades na cidade, numa execução por impostos em atraso. Em 2010 comprou duas sepulturas no St. Louis No. 1 e mandou erguer a pirâmide numa delas. Depois de atos de vandalismo no cemitério, incluindo danos no túmulo de Marie Laveau, a Arquidiocese fechou-o a visitantes sem guia em 2015.
O que observar
- A forma: uma pirâmide lisa e muito branca, nada parecida com os jazigos de família com frontão ou teto plano à sua volta.
- A inscrição «Omnia Ab Uno» num dos lados, e a ausência de qualquer nome ou data.
- Marcas de batom: há fãs que se habituaram a beijar o túmulo, por isso podes ver restos de batom na superfície branca.
- Os vizinhos: filas de túmulos de família acima do solo, uns a desfazer-se e outros acabados de caiar, e os nichos abertos nos muros exteriores do cemitério.
- O túmulo de Marie Laveau, a poucos passos, muitas vezes com pequenas oferendas deixadas pelos visitantes.
Porquê uma pirâmide?
Não há uma explicação oficial para a forma, o que deixou espaço para teorias. Uns apontam para o filme de Cage O Tesouro (National Treasure), em cujo cartaz aparece uma pirâmide; outros para os Illuminati ou simples excentricidade. Outra teoria liga o local, perto de Marie Laveau, à assombrada LaLaurie Mansion que ele teve, como se quisesse uma protetora por perto. Nenhuma vem do próprio Cage, por isso encara-as como mexericos locais e não como história.
Dicas para a tua visita
- Reserva com antecedência uma visita guiada ao cemitério: não podes entrar sozinho, e por altura do Mardi Gras, do Jazz Fest e do Halloween as visitas esgotam muitas vezes. Partem da Basin Street Station, ao lado do cemitério.
- Não beijes, não toques nem marques a pirâmide ou outros túmulos. O batom e os grafítis estragam a pedra, e os «X» que se desenhavam no túmulo de Marie Laveau são uma das razões por que as visitas livres acabaram.
- Quase não há sombra entre os túmulos. No verão escolhe uma visita de manhã e leva água e chapéu.
- Continua a ser um cemitério em uso, onde as famílias enterram e visitam os seus mortos, por isso fala baixo e afasta-te se houver um funeral.
Perto daqui
- Our Lady of Guadalupe Church: na North Rampart Street, construída em 1826 como capela mortuária para as vítimas da febre-amarela, é a igreja mais antiga que se conserva em Nova Orleães.
- Congo Square: no Louis Armstrong Park, a poucos quarteirões, onde africanos escravizados e livres se juntavam ao domingo para tocar música, dançar e negociar.
- O French Quarter: as suas ruas começam logo do outro lado da North Rampart Street, com varandas de ferro forjado e casas crioulas.
- A Catedral de São Luís e a Jackson Square: a catedral de três torres e a antiga praça de armas à sua frente, mais para dentro do French Quarter.
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Factos verificados em outubro de 2026.
