
Saragoça foi colónia romana, capital de um reino muçulmano e sede dos reis de Aragão, e cada uma destas camadas deixou algo por onde ainda hoje se passa. Este guia apresenta nove lugares, mais ou menos pela ordem em que os encontras ao atravessar a cidade de oeste para leste: o palácio da Aljafería, o Mercado Central, as muralhas romanas, a basílica do Pilar, o Puente de Piedra, a catedral de La Seo, o Museu Goya, a Plaza del Justicia e a Plaza San Felipe.
Palácio da Aljafería
A Aljafería foi construída sobretudo entre 1065 e 1081 para Abu Jafar al-Muqtadir, soberano da taifa muçulmana de Saragoça, que lhe chamava Palácio da Alegria. O nome vem provavelmente do seu próprio, Abu Jafar. O palácio islâmico foi erguido à volta de um pátio cujo tanque sul original ainda se conserva.
Depois da conquista cristã tornou-se residência dos reis de Aragão. Os Reis Católicos, Fernando e Isabel, acrescentaram um palácio na ala norte entre 1488 e 1495, e a partir de 1486 a Inquisição teve aqui o seu tribunal. Desde os anos 1980, parte do edifício acolhe as Cortes de Aragão, o parlamento regional, e desde 2001 integra a arquitetura mudéjar de Aragão classificada pela UNESCO.
- A Torre do Trovador, a parte mais antiga do palácio, com o nome do drama El Trovador, de 1836, que inspirou a ópera Il trovatore de Verdi; o pátio de Santa Isabel com o seu tanque; e o teto de caixotões da Sala do Trono, com a data de 1492 e o emblema do jugo e das flechas dos Reis Católicos.
Mercado Central
O mercado central de Saragoça, também chamado Mercado de Lanuza, foi desenhado em 1895 pelo arquiteto aragonês Félix Navarro e estava pronto em 1903. É uma longa nave de ferro e vidro com toques neoclássicos nos portais e nos capitéis das colunas. Depois de uma renovação completa em 2018 e 2019, reabriu a 5 de fevereiro de 2020 e continua a ser um verdadeiro mercado de abastecimento.
- Uma placa no interior lembra Juan de Lanuza, Justicia de Aragão, decapitado nesta praça a 20 de dezembro de 1591 por ordem do rei Filipe II por defender as antigas leis do reino.
Roman walls
A poucos passos do mercado ergue-se o troço conservado mais longo das muralhas de Caesaraugusta, a colónia romana que deu nome a Saragoça. As muralhas foram construídas no século I d.C., no tempo de Tibério, e reformadas até ao século III; a parte que se vê hoje data da segunda metade do século III. Rodeavam a cidade ao longo de cerca de três quilómetros, com uns 120 torreões.
- O troço de cerca de 80 metros junto ao Torreón de la Zuda, uma torre medieval posterior, onde se veem a grossa base de pedra e as torres redondas.
Basílica de Nossa Senhora do Pilar
Segundo a tradição, a 2 de janeiro do ano 40 a Virgem Maria apareceu ao apóstolo São Tiago enquanto ele rezava junto ao Ebro e deu-lhe uma coluna de jaspe, pedindo-lhe que ali construísse uma igreja. A atual basílica barroca foi começada em 1681, e Ventura Rodríguez redesenhou mais tarde a Santa Capela que guarda a coluna. Com onze cúpulas e quatro torres, domina a margem do rio.
Francisco de Goya pintou frescos nas abóbadas e cúpulas à volta da Santa Capela, entre eles a cúpula da Rainha dos Mártires. A festa de Nossa Senhora do Pilar celebra-se a 12 de outubro, que é também o dia nacional de Espanha.
- Duas das três bombas que atingiram a basílica durante a Guerra Civil e não explodiram; estão expostas no interior.
- O conjunto de cúpulas e as quatro torres de canto, que se veem melhor a partir do Puente de Piedra.
Puente de Piedra
A Ponte de Pedra sobre o Ebro foi começada em 1401 sob a direção de Gil de Menestral e concluída por volta de 1440, substituindo pontes mais antigas que remontavam à época romana. Tem sete arcos e resistiu a cheias e guerras: uma cheia em 1643 derrubou dois arcos centrais, e em 1813 as tropas francesas em retirada fizeram explodir o arco norte. As velhas torres das extremidades foram demolidas em 1906.
- Os quatro leões de bronze do escultor Francisco Rallo, colocados em 1991, e a vista do Pilar a partir do meio da ponte.
La Seo (catedral do Salvador)
Saragoça tem duas catedrais, e La Seo é a mais antiga. Ergue-se no lugar do fórum romano e da mesquita principal da Saragoça muçulmana, e mistura quase todos os estilos: absides românicas do século XII, elementos góticos e mudéjares, uma torre barroca e um portal principal neoclássico do século XVIII.
No interior, o retábulo do altar-mor foi esculpido sobretudo em alabastro pintado entre 1434 e 1480, por Pere Johan e Hans da Suábia. A catedral tem ainda um museu de tapeçarias flamengas dos séculos XV a XVII, uma das maiores coleções do género no mundo.
- O muro mudéjar da Parroquieta de San Miguel, no exterior, construído em 1360 para o arcebispo Lope Fernández de Luna, com padrões geométricos em tijolo e cerâmica vidrada.
Museu Goya
O Museu Goya ocupa um palácio renascentista de 1535 na Calle Espoz y Mina, com um pátio de colunas de mármore. Abriu em 1979 como Museo Camón Aznar e reabriu com o nome atual em 2015. A coleção vai do século XV ao XX, mas o ponto alto é Goya: pinturas como um autorretrato de juventude de 1775 e as quatro grandes séries de gravuras completas.
- Os Caprichos, Os Desastres da Guerra, A Tauromaquia e Os Disparates, a única coleção completa das séries de gravuras de Goya exposta num museu.
Plaza del Justicia
Esta pequena praça tem o nome do Justicia de Aragão, o juiz supremo do reino cujo cargo representava as antigas leis e liberdades aragonesas. Nela fica a igreja barroca de Santa Isabel de Portugal, também chamada de San Cayetano, construída entre 1682 e 1704, com uma fachada de alabastro, mármore e gesso e estátuas douradas. Em 1914 os restos de Juan de Lanuza, o Justicia executado em 1591, foram trasladados para esta igreja.
Plaza San Felipe
A poucos passos, a Plaza San Felipe foi em tempos um mercado de artesãos. Aqui erguia-se a Torre Nueva, uma torre mudéjar de tijolo inclinada, construída entre 1504 e 1512, que se desviava cerca de três metros da vertical; a câmara municipal mandou-a demolir em 1892 apesar de fortes protestos. À volta da praça ficam a igreja barroca de San Felipe, o Palacio de Argillo, renascentista, hoje Museu Pablo Gargallo, e o Torreón de Fortea, uma torre mudéjar do século XV.
- A figura de um rapaz sentado no chão a olhar para onde estava a torre, e a marca no pavimento que desenha o seu contorno.
Como vê-los num só passeio
Começa na Aljafería, a oeste do centro, e caminha para leste passando pela Plaza de Toros de la Misericordia até ao Mercado Central e às muralhas romanas ao lado. Daí é um passeio curto até à basílica do Pilar e até ao rio e ao Puente de Piedra. Volta pela Plaza del Pilar até La Seo, vira para sul para o Museu Goya e acaba nas ruas antigas da Plaza del Justicia e da Plaza San Felipe.
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Factos verificados em outubro de 2026.
