
A Praça de São Jorge é a praça principal de Valeta, mesmo no centro da cidade, na Republic Street. A maioria dos malteses chama-lhe Praça do Palácio, porque um lado inteiro é ocupado pelo Palácio do Grão-Mestre, sede dos Cavaleiros de São João e hoje gabinete do presidente de Malta. Há mais de quatro séculos que é o palco de cerimónias, protestos e viragens da ilha, incluindo a entrega da Cruz de São Jorge a Malta em 1942.
A Praça de São Jorge em resumo
- Onde: na Republic Street, no centro de Valeta, entre a Old Theatre Street e a Archbishop Street, ao lado da Republic Square.
- Criação: provavelmente traçada no tempo do grão-mestre Hugues Loubenx de Verdalle (1582–1595); pedonalizada e repavimentada em 2009.
- Hoje: uma praça pedonal usada para cerimónias, festivais e concertos, rodeada pelo Palácio do Grão-Mestre, pela Main Guard e pelo Casino Maltese.
- Tempo necessário: 15 minutos para a praça, 1 hora e meia a 2 horas se visitares também o palácio.
Do mercado de escravos às cerimónias de Estado
Antes de os Cavaleiros fundarem Valeta na década de 1560, havia aqui terrenos agrícolas, como mostraram as escavações de 2009. Com os Cavaleiros, a praça tornou-se o centro da nova cidade. Em 1615 inaugurou-se aqui uma fonte alimentada pelo novo aqueduto de Wignacourt, que levou água a Valeta pela primeira vez; essa fonte está hoje no jardim de São Filipe, em Floriana. A praça teve também um lado mais sombrio do que os seus edifícios sugerem: foi mercado de escravos, e os escravos eram aqui açoitados em público. Nas mesmas pedras festejava-se o Carnaval.
Durante a breve ocupação francesa chamou-se Place de la Liberté, e a 17 de janeiro de 1799 o padre Dun Mikiel Xerri e outros rebeldes malteses foram aqui executados. Sob domínio britânico tornou-se a parada do render da guarda. A 7 de junho de 1919, os motins do Sette Giugno contra o domínio britânico terminaram com manifestantes malteses mortos a tiro ali perto, e a 13 de setembro de 1942, em pleno cerco, a Cruz de São Jorge atribuída pelo rei Jorge VI ao povo maltês foi entregue oficialmente na praça. A partir dos anos 1980 serviu de parque de estacionamento, até ao restauro de 2009.
O que observar
- O Palácio do Grão-Mestre: a longa fachada do lado sudeste, com dois portais e varandas de madeira, construída desde o final do século XVI e definida sobretudo no século XVIII.
- A Main Guard: o edifício em frente ao palácio, com um pórtico de colunas acrescentado pelos britânicos em 1814, o brasão real britânico e uma inscrição latina segundo a qual o amor dos malteses e a voz da Europa confirmavam estas ilhas à Grã-Bretanha.
- As fontes: duas fontes do século XVIII, do tempo do grão-mestre de Rohan, ladeiam a Main Guard, enquanto no centro da praça saem jatos de água do pavimento desde 2009.
- O monumento do Sette Giugno: um memorial perto do extremo noroeste em honra dos malteses mortos nos motins de 1919, de volta à praça desde 2016.
- Casino Maltese: o antigo tesouro dos Cavaleiros, no lado sudoeste, hoje um clube privado.
O dia da Cruz de São Jorge
Em abril de 1942, Malta era um dos lugares mais bombardeados do mundo. A 15 de abril, o rei Jorge VI escreveu pelo próprio punho que atribuía a Cruz de São Jorge à ilha-fortaleza de Malta, como testemunho do heroísmo e da dedicação do seu povo. A condecoração foi entregue nesta praça a 13 de setembro de 1942. Uma réplica da Cruz de São Jorge figura hoje na bandeira maltesa, e o original está exposto ao público no National War Museum, no forte de Santo Elmo.
Dicas para a tua visita
- Vai de manhã, antes dos grupos dos cruzeiros, ou ao fim do dia, quando a praça está mais calma e a fachada do palácio iluminada.
- Atenção aos eventos: concertos, festivais de flores e cerimónias realizam-se aqui com frequência, e partes da praça podem estar vedadas.
- Visita o Palácio do Grão-Mestre pelas salas nobres e pelo arsenal; algumas zonas fecham para atos oficiais, por isso confirma antes.
- Junta a praça à concatedral de São João e aos Upper Barrakka Gardens, ambos a uma curta caminhada.
Perto daqui
- Republic Square: a praça ao lado, com a estátua da rainha Vitória, a Biblioteca Nacional e as mesas do Caffe Cordina.
- Concatedral de São João: a igreja conventual dos Cavaleiros, com interior barroco dourado e duas pinturas de Caravaggio, a poucos minutos a pé.
- Parlamento e City Gate: o parlamento moderno de Renzo Piano e a porta no topo da Republic Street, a uns dez minutos a pé.
- Upper Barrakka Gardens: jardins em socalcos sobre o Grande Porto, com vista para as Três Cidades.
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Factos verificados em outubro de 2026.
