
Quase tudo o que a maioria dos visitantes vem ver em Dresden fica numa pequena zona da cidade velha entre o Zwinger e o Elba. Este guia apresenta nove desses lugares pela ordem em que os encontras a pé: o Zwinger, a Semperoper, a catedral, o Museu dos Transportes no Johanneum, o Neumarkt, a Frauenkirche, o Albertinum, a Academia de Belas-Artes e o Terraço de Brühl. Quase todos foram destruídos nos bombardeamentos de fevereiro de 1945 e reconstruídos nas décadas seguintes, e isso também faz parte da sua história.
O Zwinger
O Zwinger foi construído por fases entre 1710 e 1728 para Augusto, o Forte, príncipe-eleitor da Saxónia e rei da Polónia, como cenário para as festas da corte. O arquiteto foi Matthäus Daniel Pöppelmann e as esculturas são de Balthasar Permoser: pavilhões e galerias cheios de figuras, grinaldas e fontes rodeiam um enorme pátio. Algumas partes, como a Porta da Coroa, assentam em troços da antiga muralha. O lado do Elba ficou aberto até Gottfried Semper o fechar com uma ala de galeria, construída a partir de 1847 e inaugurada em 1855.
Os bombardeamentos de 13 a 15 de fevereiro de 1945 deixaram em ruínas a maior parte do Zwinger. A reconstrução começou em 1945, algumas partes reabriram em 1951 e em 1963 estava em grande parte restaurado ao estado de antes da guerra. Hoje acolhe três museus: a Pinacoteca dos Mestres Antigos na ala Semper, a Coleção de Porcelana e o Mathematisch-Physikalischer Salon, com os seus relógios e instrumentos científicos.
- A Porta da Coroa, rematada por uma coroa, lembrança de que o eleitor da Saxónia era também rei da Polónia.
- A ala Semper, do lado do Elba, casa da Pinacoteca dos Mestres Antigos, uma resposta mais sóbria do século XIX ao barroco de Pöppelmann.
A Semperoper
A ópera de Dresden tem o nome do seu arquiteto, Gottfried Semper. O primeiro edifício abriu em 1841 e ardeu em 1869; o segundo foi construído pelo filho, Manfred, segundo os planos do pai, e ficou pronto em 1878. Depois do bombardeamento de 1945 restavam só as paredes exteriores, e o teatro reconstruído reabriu a 13 de fevereiro de 1985, quarenta anos exatos depois do ataque, com O Franco-Atirador de Weber. Aqui estrearam Rienzi, O Navio Fantasma e Tannhäuser de Wagner, e também Salomé, Elektra e O Cavaleiro da Rosa de Richard Strauss. É a casa da Ópera Estatal da Saxónia e da Staatskapelle de Dresden.
- Por cima da entrada principal, um carro puxado por quatro panteras e conduzido por Dioniso.
A catedral (Hofkirche)
Do outro lado da Theaterplatz fica a antiga igreja católica da corte, desenhada pelo arquiteto italiano Gaetano Chiaveri para Augusto III, um soberano católico numa terra luterana. Foi consagrada em 1751 e concluída em 1755, e uma passagem elevada liga-a ao Palácio Residencial. Em 1964 tornou-se a catedral da diocese de Dresden-Meissen, e desde 1980 tem também o nome de Kathedrale Sanctissimae Trinitatis.
- Lá dentro, o órgão, última obra do grande organeiro Gottfried Silbermann, e um púlpito rococó de Balthasar Permoser.
- As criptas dos Wettin, que guardam o coração de Augusto, o Forte, e os restos mortais do último rei da Saxónia.
Museu dos Transportes (Johanneum)
O Museu dos Transportes ocupa o Johanneum, um edifício renascentista no Neumarkt. Foi construído entre 1586 e 1590 pelo arquiteto Paul Buchner como cavalariças do príncipe-eleitor Cristiano I, com o arsenal por cima, e na década de 1870 foi transformado em museu e batizado com o nome do rei João da Saxónia. O Museu dos Transportes abriu aqui em 1956, num edifício ainda danificado pela guerra, e mostra hoje caminhos de ferro, automóveis, bicicletas e motos, aviação e navegação debaixo do mesmo teto.
- Atrás do edifício, o Stallhof, o antigo pátio das cavalariças, considerado o único campo de torneios original deste tipo ainda preservado na Europa.
O Neumarkt
O Neumarkt, o «mercado novo», fica num terreno elevado que o protegia das cheias do Elba, e foi uma das primeiras partes de Dresden a ser habitada. Com Augusto, o Forte, encheu-se de casas barrocas em volta da Frauenkirche. A tempestade de fogo de 1945 destruiu-o quase por completo, e durante décadas a praça ficou quase vazia. Depois da reunificação, a cidade decidiu reconstruí-la tal como era antes da guerra, dividida em oito quarteirões, um projeto que começou pela Frauenkirche e que alguns arquitetos criticam como pouco autêntico.
The Frauenkirche
A igreja luterana de Nossa Senhora foi desenhada por George Bähr e construída entre 1726 e 1743; Bähr morreu antes de a ver terminada. A sua cúpula de arenito, a que chamavam o Sino de Pedra, erguia-se bem acima da cidade. A igreja aguentou as duas primeiras noites de bombardeamento, mas a 15 de fevereiro de 1945 a cúpula ruiu, e durante cerca de 45 anos o monte de escombros ficou como memorial de guerra.
A reconstrução começou em 1994, e a igreja voltou a ser consagrada a 30 de outubro de 2005. Mais de 8500 pedras originais foram recuperadas dos escombros e cerca de 3800 reutilizadas: são os blocos escuros espalhados pelo arenito claro novo. A nova cruz dourada da cúpula foi feita pela ourivesaria londrina Grant Macdonald Silversmiths, e o artesão que a construiu, Alan Smith, é filho de um piloto que participou no bombardeamento de Dresden.
- Em frente à igreja, a estátua de bronze de Martinho Lutero de Adolf von Donndorf, de 1885, que sobreviveu aos bombardeamentos e voltou ao lugar depois de restaurada.
O Albertinum
À beira do Terraço de Brühl, o Albertinum ocupa o lugar de um arsenal construído entre 1559 e 1563. O arquiteto Carl Adolf Canzler transformou-o num museu de escultura em 1884-1887, com o nome do rei Alberto da Saxónia. Hoje acolhe a Galeria dos Novos Mestres e a Coleção de Escultura, do Romantismo à atualidade. Depois da cheia do Elba de 2002 foi renovado, com um novo depósito protegido das inundações, e reabriu em 2010.
Academia de Belas-Artes
A academia remonta a 1764, quando o príncipe-eleitor Frederico Cristiano a fundou, e o pintor Otto Dix foi um dos seus professores. O edifício no Terraço de Brühl foi desenhado por Constantin Lipsius e construído entre 1887 e 1894. A cúpula de vidro no topo é conhecida em Dresden como o espremedor de limões, por causa da forma.
O Terraço de Brühl
O terraço, bem acima do Elba, fazia parte das fortificações da cidade. Deve o nome ao conde Heinrich von Brühl, ministro de Augusto III, que a partir de 1737 construiu aqui um palácio com galeria, biblioteca e jardins; o terraço foi-lhe oferecido em 1747. Em 1814, o governador russo Nikolai Repnin abriu-o ao público, e a vista sobre o rio valeu-lhe a alcunha de Varanda da Europa.
- A larga escadaria que sobe da Schlossplatz, com as esculturas das Quatro Horas do Dia de Johannes Schilling, e no terraço os monumentos a Gottfried Semper e a Johann Friedrich Böttger, um pioneiro da porcelana europeia.
Como vê-los num só passeio
Começa no Zwinger e atravessa-o até à Theaterplatz para a Semperoper e a catedral. Passa pelo Palácio Residencial e entra na Augustusstrasse para ver o longo mural de porcelana do Fürstenzug no muro do Stallhof, que te leva ao Johanneum e ao Museu dos Transportes. Continua até ao Neumarkt e à Frauenkirche, e depois para leste até ao Albertinum e à Academia de Belas-Artes. Sobe ao Terraço de Brühl e segue-o de volta até à Schlossplatz, com o Elba lá em baixo.
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Factos verificados em outubro de 2026.
